Duas iniciativas recentes me fizeram lançar um olhar especial para o Terceiro Setor e pensar em como a Comunicação é uma área (obviamente) estratégica e (geralmente) relegada neste segmento. Tudo começou com uma capacitação bem bacana que a Rede Saúde Criança promoveu para seus membros (instituições do Brasil todo que seguem a mesma metodologia de trabalho) e outras organizações assistidas pela Unimed, empresa patrocinadora da iniciativa. Eles receberam treinamentos em várias áreas. Coube a mim “ministrar” (sempre acho exagerada essa palavra) a palestra de tema “Comunicação: Novas Mídias e Assessoria de Imprensa”. Foi um dia inteiro (especificamente, 13/08/09) de muito bate-papo sobre as possibilidades quase irrestritas desse campo e os caminhos para aproximá-lo do dia-a-dia das instituições com sustentabilidade. O interesse dos participantes pelo assunto era enorme, o que fez o dia muito produtivo.
Essa experiência me levou a outra, ontem: uma palestra mais reduzida pros alunos do curso de pós-graduação em Comunicação Empresarial da Estácio-RJ sobre o tema “A Comunicação e o Terceiro Setor”, apresentando, principalmente a partir dessa experiência com a Rede, algumas demandas desse campo (que não são poucas) e como os profissionais de comunicação podem atuar nele. O tema também gerou interesse, principalmente quando apresentei os principais problemas de comunicação sofridos por esse setor, a partir da minha experiência profissional. São eles:
: Amadorismo no trabalho de comunicação (porque de médico, louco e comunicador, parece que todo mundo tem um pouco)
: A mesma pessoa faz tudo (da administração ao cafezinho, passando, claro, pelo house organ)
: “O sobrinho” (parece uma praga: tem sempre um sobrinho que “entende de computador” e que faz o site, o jornalzinho…)
: “O CD” (em algum momento da história da organização, alguém – provavelmente o sobrinho – fez um CD de apresentação, que passa a ser usado que nem Bombril: para propostas de patrocínio, parcerias, festas, brindes, release. Mil e uma utilidades)
: A Proposta (nessa mesma linha, a mesmíssima proposta serve para todos os alvos, sem mudar uma vírgula)
: Repetição de fórmulas prontas (pouca criatividade ao criar ações de comunicação)
: E, ainda, vale destacar a COMUNICAÇÃO INTERNA como um dos maiores desafios de comunicação das organizações (do Terceiro Setor ou não), merecendo atenção redobrada para o sucesso destas.
Sendo assim, vemos aí um excelente campo de trabalho para comunicadores, que podem driblar as dificuldades do setor apresentando de maneira profissional alternativas inteligentes para tornar a comunicação viável e viva. E por uma boa causa.
Como diria Sigmund Freud, é nóis.