A quem interessar possa, tenho o orgulho de informar que este ano iniciarei minha potencialmente brilhante carreira de… PROFESSORA U-NI-VER-SI-TÁ-RI-A… [Aplausos]. A instituição premiada chama-se UNIFOA – Centro Universitário de Volta Redonda, vinculado à Fundação Oswaldo Aranha (FOA). Após um teste de aula sobre “Cultura das Mídias”, ganhei duas turmas dessa disciplina (para os sétimos períodos de Jornalismo e de Publicidade e Propaganda) + os cursos de Jornalismo Digital e Pesquisa Jornalística, para os sexto e sétimo períodos de Jornalismo, respectivamente. Legal, né?
Agora sério: estar em sala de aula é certamente uma grande responsabilidade. Penso nos excelentes professores que já tive, os quais mudaram minha maneira de ver o mundo de forma definitiva. Tenho consciência do impacto transformador de uma ‘aula bem dada’, e a possibilidade de proporcionar isso a, ao menos, um aluno que seja já me agrada bastante. Munida do grande, gigante, e humildemente sábio Paulo Freire e sua “Pedagogia da autonomia”, inspiro-me nos “saberes necessários à prática educativa” que esse mestre ensina aos demais mestres, dos quais citarei alguns pontos abaixo. Para o pedagogo, “a educação é uma forma de intervenção no mundo”.
O engraçado é que passei 10 anos ininterruptos da minha vida estudando Comunicação – dos 14 aos 24 -, achando que essa área estava distante dos meus anseios de transformação social. Que para mudar o mundo, eu tinha que aprender a plantar mandioca, fazer meu próprio pão e, claro, não ter televisão. Só depois de começar a trabalhar autonomamente, ainda no campo da comunicação empresarial, é que a ficha finalmente caiu: “Pô, se a comunicação perpassa todos os níveis de interação social; se a crucificada comunicação de massa e a tal da ‘cultura das mídias’ são a cultura hegemônica da atualidade, e se para se ter a tal ‘autonomia’ é preciso ter pensamento crítico em relação a esses poderes hegemônicos – é justamente aí que eu devo atuar!”. Putz, demorou pra perceber que as minhas armas já estavam em minhas mãos há tempos: o saber crítico sobre a comunicação aliado ao poder contra-hegemônico da educação. Eureka.
Sendo assim, fico feliz em ter-me encontrado no campo (como diria Bourdieu) e estar com as armas em punho (as teorias, como diriam Foucault e Deleuze) para lutar por um mundo mais justo. Oxalá me ajude a ter algum êxito.
Para (eu) ter sempre em mente, listo aqui alguns apontamentos do nosso amado Paulo Freire sobre o ato de ensinar.
ENSINAR EXIGE:
1. respeito aos saberes dos educandos
2. criticidade
3. estética e ética
4. a corporeificação das palavras pelo exemplo
5. risco, aceitação do novo e rejeição a qualquer forma de discriminação
6. reflexão crítica sobre a prática
7. consciência do inacabamento
8. o reconhecimento de ser condicionado
9. respeito à autonomia do ser educando
10. bom senso
11. humildade, tolerância e luta em defesa dos direitos dos educadores
12. apreensão da realidade
13. alegria e esperança
14. a convicção de que a mudança é possível
15. curiosidade
A lista continua em: FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terrra, 1996.
Site da UNIFOA: www.unifoa.edu.br
