Dona Ervilha

Por uma comunicação orgânica

Teste da Violência Obstétrica: Blogagem Coletiva pelo Dia Internacional da Mulher! 08/03/2012

Dona Ervilha participa junto de outras tantas mulheres blogueiras da iniciativa promovida pelos blogs Mamíferas, Parto no Brasil, Cientista que virou Mãe, e Parto do Princípio, em homenagem ao Dia Internacional da Mulher. Trata-se do Teste da Violência Obstétrica, uma pesquisa que pretende dar visibilidade às tantas violências cometidas contras as mulheres em grande parte das maternidades do Brasil.

Diversas pesquisas apresentam dados significativos a partir dos quais podemos afirmar que o modelo padrão de atendimento e cuidados no parto expõe as mulheres a quatro tipos principais de violência durante sua internação: negligência; violência verbal (incluindo tratamento rude, ameaças, repreensão, gritos e humilhação intencional); violência física (incluindo negação de alívio da dor quando tecnicamente indicado); e violência sexual. (Ana Flávia Pires Lucas d’Oliveira, Simone Grilo Diniz, Lilia Blima Schraiber. Violence against women in health-care institutions: an emerging problem. Lancet 2002; 359: 1681–85).

Em 2011, a divulgação da pesquisa de opinião da Fundação Perseu Abramo e SESC, coordenada pelo Prof. Dr. Gustavo Venturi Jr (FFLCH/USP), “Mulheres Brasileiras e Gênero nos Espaços Público e Privado”, provocou ampla repercussão: quatro em cada dez brasileiras relatam ter sofrido maus-tratos durante o trabalho de parto e parto. Ao mesmo tempo, a tese de doutorado na Faculdade de Medicina da USP de Janaína Marques Aguiar evidenciou que “quanto mais jovem, mais escura e mais pobre, maior a violência no parto.”

Sendo assim, em defesa dos direitos reprodutivos de todas as mulheres, em defesa de escolhas esclarecidas, em respeito às individualidades e à dignidade humana, promovemos esta blogagem coletiva. Por uma assistência ao pré-natal e ao parto segura, e de boa qualidade. O Teste da Violência Obstétrica será divulgado no dia 08 de março e ficará no ar até o dia 15 de abril. No dia 30 de abril, divulgaremos os resultados desta pesquisa informal, que tem como objetivo sensibilizar as mídias sociais e outras instâncias para a grave questão da violência obstétrica. O teste será respondido anonimamente e os dados individuais serão confidenciais.

Se você sofreu ou conhece alguém que sofreu alguma violência obstétrica, favor responder e compartilhar esta iniciativa. Acesse este link. Gratidão! <3

 

Fora Globo 13/02/2012

Filed under: comunicação orgânica,Crítica,Em Pauta,Eventos,Mudar o Mundo — donaervilha @ 16:39
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Equipe da Rede Globo sendo expulsa por manifestantes na Praia de Copacabana, ontem, 12/02. Fiquei emocionada.

 

 

 

 

O JN visto do lado de cá 10/02/2012

Um pequeno e elucidativo recorte da assembleia pré-greve dos Bombeiros e dos Policiais, na Cinelândia, Rio de Janeiro, dia 09/02/12. O Jornal Nacional transmitia a notícia, tão distante da realidade… Isso é um fato.

 

 

Quando o Outro se pronuncia 09/09/2011

Filed under: Crítica,Em Pauta — donaervilha @ 0:03
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Impressionante a incapacidade do jornalismo em escutar o Outro. Impressionante a lucidez deste senhor e a ignorância da repórter da BBC. Felizmente era ao vivo e caiu na rede. Felizmente o Jornal da Cultura teve a sensibilidade de veicular, por indicação de um telespectador via Twitter. Nem tudo está perdido no jornalismo, afinal.

 

 

#Manchetes 29/06/2011

Filed under: Em Pauta,Mudar o Mundo — donaervilha @ 1:17
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Interessante coincidência entre as capas da Carta Capital dessa semana e da revista Fórum do mês de junho, ambas destacando as atuais manifestações convocadas pela internet em várias partes do mundo. E as duas edições estão ótimas. Nas capas estão os links para as respectivas páginas. #Love

 

Saiu no jornal… 16/09/2010

Filed under: comunicação orgânica,Em Pauta,Mudar o Mundo — donaervilha @ 20:02
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Dietas com muita proteína e pouco carboidrato aumentam o risco de câncer e de doenças do coração

Publicada em 14/09/2010 às 14h26m nO Globo

RIO – Trocar o pão e o macarrão pelas carnes vermelhas pode aumentar o risco de várias doenças, principalmente o câncer e as cardíacas. Este é o resultado da análise da dieta de mais de 100 mil pessoas, que mostra que o índice de mortalidade em indivíduos que têm uma dieta muito proteica é 12% maior do que aqueles que preferem consumir mais carboidratos.

O estudo, publicado no “Annals of Internal Medicine” de setembro, faz uma análise de duas pesquisas importantes: A Nurses’ Health Study, que acompanha mais de 85 mil mulheres, e a Health Professionals’ Follow-Up Study, que estuda cerca de 45 mil homens.

O levantamento mostrou também que a taxa de mortalidade depende muito do tipo de proteína que é ingerida. Quem seguia uma dieta rica em proteínas de origem vegetal, com leguminosas e castanhas, e com pouco carboidrato rico em açúcar e farinha branca tinha uma chance 20% menor de morrer de câncer ou do coração.

Somente aqueles que seguiam uma dieta da proteína rica em gordura animal, com muita carne vermelha e carnes processadas, é que tinham uma chance 14% maior de morrer de problemas cardíacos e 28% maior de morrer de câncer.

A médica Teresa T. Fung, uma das coordenadoras do estudo e professora da Simmons College, em Boston, afirma que há cada vez mais provas de que uma dieta rica em carne vermelha não é tão benéfica.

- Quem quiser seguir uma dieta pobre em carboidratos deve procurar orientação médica para não exagerar no consumo de proteína animal. Sem dúvida, as pessoas devem se preocupar em comer menos carne.

 

A Roda ou Quando o carnaval passar 15/02/2010

Filed under: Crítica,Em Pauta,Eventos,Mudar o Mundo — donaervilha @ 23:44
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[Ao som de “Manhã de Carnaval”, do Candeia]

Já que estou submersa em livros no carnaval, vou fazer um post teórico-carnavalesco. É sobre Bakhtin, claro! Esse crítico russo tem sido cada vez mais lido nos dias atuais, ao que me parece, porque sua crítica é bastante vanguardista. Vale tratar aqui de alguns dos seus comentários sobre o carnaval na maravilhosa obra: “A Cultura Popular na Idade Média e no Renascimento: o contexto de François Rabelais” (Edunb, 1993). O título assusta, mas o livro é muito divertido, especialmente para pensar o carnaval e sua “dualidade do mundo”. Bakhtin analisa na obra de Rabelais essa inversão de valores tipicamente carnavalesca – o pobre finge ser rei, o rei finge ser plebeu – e a ideia da “renovação universal” obtida com a festa, que seria “a segunda vida do povo, o qual penetrava temporariamente no reino utópico da universalidade, liberdade, igualdade e abundância”. Segundo Bakhtin, durante o carnaval “o indivíduo parecia dotado de uma segunda vida que lhe permitia estabelecer relações novas, verdadeiramente humanas, com os seus semelhantes.”

Ele escreve coisas lindas sobre “a visão carnavalesca do mundo”, a qual abolia provisoriamente todas as relações hierárquicas, privilégios, regras e tabus. O carnaval seria “a autêntica festa do tempo, a do futuro, das alternâncias e renovações. Opunha-se a toda perpetuação, a todo aperfeiçoamento e regulamentação, apontava para um futuro ainda incompleto”. Em consequência a essas quebras e eliminações de barreiras momentâneas entre as pessoas, durante o carnaval acontecia um tipo particular de comunicação, inconcebível em situações normais. “Elaboravam-se formas especiais do vocabulário e do gesto da praça pública, francas e sem restrições, que aboliam toda a distância entre os indivíduos em comunicação, liberados das normas correntes da etiqueta e da decência”. (Obs.: É inevitável o espanto frente à constatação de que o espírito carnavalesco mantém-se quase inalterado no tempo e no espaço, apesar das mutações óbvias entre épocas, culturas e sistemas econômicos…)

O Bobo da Corte

Mas a chave do pensamento bakhtiniano que vai embasar (e talvez revolucionar) uma extensa corrente de estudos sobre a cultura na contemporaneidade está precisamente no trechinho a seguir, que diz: “…todas as formas e símbolos da linguagem carnavalesca estão impregnados do lirismo e da alternância e da renovação, da consciência da alegre relatividade das verdades e autoridades no poder. Ela caracteriza-se, principalmente, pela lógica original das coisas ‘ao avesso’, ‘ao contrário’, das permutações constantes do alto e do baixo (‘a roda’)…”. Na realidade, menos do que o trechinho, podemos dizer que o conceito-chave e revolucionário do pensamento sobre a cultura hoje em dia está nessas duas palavrinhas finais entre parênteses: a roda. (Eu adoro parênteses). O que isso quer dizer?

Numa de suas primeiras obras publicadas – “Marxismo e filosofia da linguagem” – Bakhtin analisa o signo como ideológico (não vou entrar nessa questão, juro) e usa uma denominação que nunca saiu da minha cabeça: “a reversibilidade intrínseca de toda ordem simbólica”. Isso quer dizer que todos os significados podem mudar; e que se um signo (não estou falando do zodíaco, pessoal) pode mudar (é simbólico, e o que é simbólico pra mim é diferente do que é simbólico pra você), isso significa, grosso modo, que TUDO pode mudar. O mundo às avessas do carnaval demonstra que “um outro mundo é possível” (opa!). Que a roda gira e o que é tido como mal hoje pode ser tido como bom amanhã e vice-versa. Que se você odeia Zezé de Camargo e Luciano e ama a Bethânia, mas ouve a Bethânia cantando “É o amor” e acha lindo, o que essa música simbolizava na sua cabeça mudou (não sem dor). E outros exemplos malucos assim.

O verdadeiro barato dessa Roda de sentido do carnaval, dessas “permutações constantes do alto e do baixo” e desse espírito humanista da visão de mundo carnavalesca, é justamente deixar claro e escancarado que esse tipo de experiência É POSSÍVEL, que esse tipo de abolição (tão supostamente complexa) das hierarquias e da experiência da igualdade EXISTE, é PALPÁVEL. O problema é que existe ilusoriamente apenas enquanto dura o carnaval. Depois da quarta-feira, as barreiras são repostas, a indiferença com os semelhantes volta a reinar, a normalidade do cada um por si – acabou o abraço grátis. Óbvio que a ideia aqui não é estender a loucura sem limites, a devassidão e tudo o mais que rola no carnaval como um mundo ideal, é claro. Falamos desses ideais que tantos almejam, “da consciência da alegre relatividade das verdades e autoridades no poder”, da tal da igualdade, da fraternidade. Esse sorriso todo, essa disposição pra ser feliz. Isso bem que podia continuar depois do carnaval, né?

É sempre assim:

“No carnaval / Não vou querer me fantasiar / Não vou querer me vestir de rei / Não quero mais colorir a dor / E se alguém quiser me aplaudir / Vai ter que ser assim como eu sou / Não quer dizer que não vou nem brincar / Só não quero é enganar o meu coração

No carnaval não vou mais sair fingindo / Que passo a minha vida inteira a cantar / Eu vou me divertir / Na certa eu vou sambar / Mas dessa vez a ilusão não vai me pegar / No carnaval eu sempre saí sorrindo / Me divertindo só pra desabafar / Três dias pra sorrir / Um ano pra chorar / Mas dessa vez a ilusão não vai me pegar ”

(Sem ilusão, Elton Medeiros)

Para meu eterno amigo Mary Who, in memorian, ótimas memórias de carnaval!

 

Todo dia ele faz tudo sempre igual 05/02/2010

Filed under: Em Pauta — donaervilha @ 17:57
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Mesmo sendo jornalista – ou talvez por isso mesmo -, passo longos períodos sem ler jornal. Quando a profissão permite, é claro. Porque irrita, porque todo dia é a mesma coisa. Sabe aquele papo bíblico (antes de Cristo!) de que “não há nada de novo sob o sol”? Se enquadra. Só essa semana, passando o olho pelas bancas de jornal, estavam lá: recorde de faltas na Câmara (novidade…), enchentes em São Paulo (ou em Santa Catarina ou em qualquer outro lugar cujo desequilíbrio ambiental provoca efeitos idênticos, sempre), taxas de juros que sobem e descem… Parece que tudo está mudando todo dia e que cada informação dessa é altamente relevante (e deve ser reprisada incessantemente até a próxima catástrofe roubar a cena), mas, na boa, é uma repetição dos infernos, de enlouquecer qualquer leitor minimamente regular.

Outro dia, achei ótimo o que o perfil de @danielsansao postou no Twitter:

TEMPLATE: A chuva castigou __________. Em apenas _____ horas choveu o previsto para os próximos ____ meses.

Não duvido que muitos jornalistas veteranos tenham esquemas similares – se não prontos no computador, prontos na cabeça – para escrever esse tipo de matéria, digamos, cíclica. Seria até recomendável. Aff.

 

Primavera em pauta (de novo) 21/09/2009

Filed under: Em Pauta — donaervilha @ 0:46
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A Primavera chegou e, com ela, as mesmíssimas pautas de todo ano. Preparem-se para as idênticas matérias de gastronomia sobre flores comestíveis (ver – ou não ver – nos jornais de bairros, principalmente), as de moda sobre estampas florais e todo tipo de produção (leia-se vitrine de produtos) envolvendo o tema. Se a gente tiver sorte, leitores enviarão para a coluna do Ancelmo fotos de árvores floridas em meio a avenidas cariocas. Todo ano, todo ano. As assessorias estão pipocando releases floridos e disputando vírgula por vírgula um servicinho no Globo Bairros. Que delícia, o pólen no ar.

Cá pra nós, a boa da estação é fechar o jornal e encher o pulmão.

Feliz primavera para todos, tabebuias ou não.

 

 
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