Dona Ervilha

Por uma comunicação orgânica

Não esquecemos 01/05/2012

Filed under: Crítica,Eventos,Mudar o Mundo — donaervilha @ 14:57
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Fora Globo 13/02/2012

Filed under: comunicação orgânica,Crítica,Em Pauta,Eventos,Mudar o Mundo — donaervilha @ 16:39
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Equipe da Rede Globo sendo expulsa por manifestantes na Praia de Copacabana, ontem, 12/02. Fiquei emocionada.

 

 

 

 

O JN visto do lado de cá 10/02/2012

Um pequeno e elucidativo recorte da assembleia pré-greve dos Bombeiros e dos Policiais, na Cinelândia, Rio de Janeiro, dia 09/02/12. O Jornal Nacional transmitia a notícia, tão distante da realidade… Isso é um fato.

 

 

Quando o Outro se pronuncia 09/09/2011

Filed under: Crítica,Em Pauta — donaervilha @ 0:03
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Impressionante a incapacidade do jornalismo em escutar o Outro. Impressionante a lucidez deste senhor e a ignorância da repórter da BBC. Felizmente era ao vivo e caiu na rede. Felizmente o Jornal da Cultura teve a sensibilidade de veicular, por indicação de um telespectador via Twitter. Nem tudo está perdido no jornalismo, afinal.

 

 

A Roda ou Quando o carnaval passar 15/02/2010

Filed under: Crítica,Em Pauta,Eventos,Mudar o Mundo — donaervilha @ 23:44
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[Ao som de “Manhã de Carnaval”, do Candeia]

Já que estou submersa em livros no carnaval, vou fazer um post teórico-carnavalesco. É sobre Bakhtin, claro! Esse crítico russo tem sido cada vez mais lido nos dias atuais, ao que me parece, porque sua crítica é bastante vanguardista. Vale tratar aqui de alguns dos seus comentários sobre o carnaval na maravilhosa obra: “A Cultura Popular na Idade Média e no Renascimento: o contexto de François Rabelais” (Edunb, 1993). O título assusta, mas o livro é muito divertido, especialmente para pensar o carnaval e sua “dualidade do mundo”. Bakhtin analisa na obra de Rabelais essa inversão de valores tipicamente carnavalesca – o pobre finge ser rei, o rei finge ser plebeu – e a ideia da “renovação universal” obtida com a festa, que seria “a segunda vida do povo, o qual penetrava temporariamente no reino utópico da universalidade, liberdade, igualdade e abundância”. Segundo Bakhtin, durante o carnaval “o indivíduo parecia dotado de uma segunda vida que lhe permitia estabelecer relações novas, verdadeiramente humanas, com os seus semelhantes.”

Ele escreve coisas lindas sobre “a visão carnavalesca do mundo”, a qual abolia provisoriamente todas as relações hierárquicas, privilégios, regras e tabus. O carnaval seria “a autêntica festa do tempo, a do futuro, das alternâncias e renovações. Opunha-se a toda perpetuação, a todo aperfeiçoamento e regulamentação, apontava para um futuro ainda incompleto”. Em consequência a essas quebras e eliminações de barreiras momentâneas entre as pessoas, durante o carnaval acontecia um tipo particular de comunicação, inconcebível em situações normais. “Elaboravam-se formas especiais do vocabulário e do gesto da praça pública, francas e sem restrições, que aboliam toda a distância entre os indivíduos em comunicação, liberados das normas correntes da etiqueta e da decência”. (Obs.: É inevitável o espanto frente à constatação de que o espírito carnavalesco mantém-se quase inalterado no tempo e no espaço, apesar das mutações óbvias entre épocas, culturas e sistemas econômicos…)

O Bobo da Corte

Mas a chave do pensamento bakhtiniano que vai embasar (e talvez revolucionar) uma extensa corrente de estudos sobre a cultura na contemporaneidade está precisamente no trechinho a seguir, que diz: “…todas as formas e símbolos da linguagem carnavalesca estão impregnados do lirismo e da alternância e da renovação, da consciência da alegre relatividade das verdades e autoridades no poder. Ela caracteriza-se, principalmente, pela lógica original das coisas ‘ao avesso’, ‘ao contrário’, das permutações constantes do alto e do baixo (‘a roda’)…”. Na realidade, menos do que o trechinho, podemos dizer que o conceito-chave e revolucionário do pensamento sobre a cultura hoje em dia está nessas duas palavrinhas finais entre parênteses: a roda. (Eu adoro parênteses). O que isso quer dizer?

Numa de suas primeiras obras publicadas – “Marxismo e filosofia da linguagem” – Bakhtin analisa o signo como ideológico (não vou entrar nessa questão, juro) e usa uma denominação que nunca saiu da minha cabeça: “a reversibilidade intrínseca de toda ordem simbólica”. Isso quer dizer que todos os significados podem mudar; e que se um signo (não estou falando do zodíaco, pessoal) pode mudar (é simbólico, e o que é simbólico pra mim é diferente do que é simbólico pra você), isso significa, grosso modo, que TUDO pode mudar. O mundo às avessas do carnaval demonstra que “um outro mundo é possível” (opa!). Que a roda gira e o que é tido como mal hoje pode ser tido como bom amanhã e vice-versa. Que se você odeia Zezé de Camargo e Luciano e ama a Bethânia, mas ouve a Bethânia cantando “É o amor” e acha lindo, o que essa música simbolizava na sua cabeça mudou (não sem dor). E outros exemplos malucos assim.

O verdadeiro barato dessa Roda de sentido do carnaval, dessas “permutações constantes do alto e do baixo” e desse espírito humanista da visão de mundo carnavalesca, é justamente deixar claro e escancarado que esse tipo de experiência É POSSÍVEL, que esse tipo de abolição (tão supostamente complexa) das hierarquias e da experiência da igualdade EXISTE, é PALPÁVEL. O problema é que existe ilusoriamente apenas enquanto dura o carnaval. Depois da quarta-feira, as barreiras são repostas, a indiferença com os semelhantes volta a reinar, a normalidade do cada um por si – acabou o abraço grátis. Óbvio que a ideia aqui não é estender a loucura sem limites, a devassidão e tudo o mais que rola no carnaval como um mundo ideal, é claro. Falamos desses ideais que tantos almejam, “da consciência da alegre relatividade das verdades e autoridades no poder”, da tal da igualdade, da fraternidade. Esse sorriso todo, essa disposição pra ser feliz. Isso bem que podia continuar depois do carnaval, né?

É sempre assim:

“No carnaval / Não vou querer me fantasiar / Não vou querer me vestir de rei / Não quero mais colorir a dor / E se alguém quiser me aplaudir / Vai ter que ser assim como eu sou / Não quer dizer que não vou nem brincar / Só não quero é enganar o meu coração

No carnaval não vou mais sair fingindo / Que passo a minha vida inteira a cantar / Eu vou me divertir / Na certa eu vou sambar / Mas dessa vez a ilusão não vai me pegar / No carnaval eu sempre saí sorrindo / Me divertindo só pra desabafar / Três dias pra sorrir / Um ano pra chorar / Mas dessa vez a ilusão não vai me pegar ”

(Sem ilusão, Elton Medeiros)

Para meu eterno amigo Mary Who, in memorian, ótimas memórias de carnaval!

 

Sobre a televisão: de Bourdieu à minha avó 07/01/2010

Filed under: Crítica — donaervilha @ 15:34
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Estou de férias no Ceará, minha terra natal. Entre uma praia e outra, tento dar conta do clássico “Sobre a televisão”, do Bourdieu. Nunca imaginei que teria tanto prazer com a leitura do sociólogo francês de quem tanto se teme nos meios acadêmicos. Sempre o imaginei pedante e ininteligível, tornando-o implicantemente dispensável na minha bibliografia. Só recentemente, num curso ministrado para alunos de mestrado e doutorado da UFF, escutei duas pessoas elogiarem esse autor, o que me provocou surpresa. Já me parecia dado o desprazer da leitura de Bourdieu quando tive acesso (ou interesse) à sua biografia e sua vasta produção literária. Por conta desse curso, passei superficialmente pelo “As regras da arte” e gostei de sua crítica, mas ao ficar frente a frente com uma ediçãozinha simpática de “Sobre a televisão” (da Jorge Zahar) seguido dos textos “A influência do jornalismo” e “Os jogos olímpicos” (nada mais adequado ao momento 2016), respirei fundo e resolvi encarar Bourdieu pra valer.

Assumo que estou pagando de nerd com esse livrinho pra cima e pra baixo pelo meu Cariri. Não sei se por ter sido escrito não só sobre a televisão, mas para a televisão (foi um curso do Collège de France transmitido por uma tevê francesa), a linguagem é bastante acessível e sinto vontade de recomendar a todo telespectador que seja. Não sou dessas que acha que a única solução para a televisão é desligá-la, como observou Martín-Barbero em outra obra fundamental sobre esse meio (“Os exercícios do ver”, Editora Senac SP). Apenas, como comunicadora, penso que é cada vez mais urgente descobrir formas de democratizar o tal “pensamento crítico” sobre um meio tão poderoso e hegemônico como a tevê. Para se pensar criticamente a comunicação que domina de uma maneira geral o nosso cotidiano, é importante que o leitor e o telespectador comum (não-especialistas) tenham acesso a informações básicas dos bastidores da produção dos discursos (jornalísticos, publicitários), da produção das imagens etc. Assim, ficaria mais fácil desnaturalizar aquelas informações recebidas como “a verdade dos fatos”, só porque “passou na televisão” ou porque “eu li no jornal” etc. Também por isso, “Sobre a televisão” é altamente relevante.

O mais curioso é que, aqui no Ceará, estou na casa da minha avó, que, como muitas pessoas no Brasil e no mundo, passa o dia in-tei-ro vendo televisão. Apesar da possibilidade de dispor dos canais pagos da tevê fechada, ela prefere ficar com os canais abertos em toda a sua variedade. Ela assiste de tudo e em todos os canais. Assim, estou tento uma oportunidade rara de observar a televisão aberta brasileira mais amplamente (coisa que poucas pessoas que pensam a televisão academicamente geralmente fazem; eu incluída). Aqui no Ceará, a programação da TV Globo é reproduzida pela TV Verdes Mares, parte de um gigantesco conglomerado empresarial da família do falecido Edson Queiroz, dono do jornal Diário do Nordesde, da universidade UNIFOR, da Ceará Gás Butano (agora parece que mudou para Nacional Gás), da Esmaltec, entre outras muitas empresas. [Para Bourdieu, é importante ter às vistas quem são os donos dos veículos de comunicação, pessoas físicas geralmente vinculadas a pessoas jurídicas de ramos diversos, apesar de também enfatizar que isso não explica nem justifica tudo].

Percebo que, de encontro às minhas expectativas, a TV Globo é a emissora que minha avó menos assiste. Ela prefere a Record (vários programas, mas atualmente não perde um “A Fazenda”, seguido de sua sátira “O curral”), o que me parece também ser resultado dos recentes mega investimentos dessa emissora. Ela também assiste muito ao SBT, para quem “no domingo não tem pra ninguém”. Há alguns canais locais, como TV Diário, TV Jangadeiro e TV Cidade, dos quais ela deleita-se com os programas mais violentos sobre notícias policiais locais (o tal jornalismo de sensações, ou sensacionalista). Ela também adora os talk-shows que têm a pretensão de resolver a vida das pessoas em rede nacional. Interessantíssimo observar os valores ali presentes, as visões de mundo, o que supostamente gera a mitológica audiência. Sabia que há programas que mantêm horas e horas de competição entre crianças que contam piadas? Para Bourdieu, “essas coisas tão fúteis são de fato muito importantes na medida em que ocultam coisas preciosas”. Podemos evitar, por hora, a complicada discussão (por ser geralmente preconceituosa e elitista) sobre a qualidade do conteúdo da tevê aberta. Bourdieu faz uma observação bem pontual que me agrada por sua simplicidade: esse tempo (tão valioso para o mundo da televisão) poderia estar sendo usado para outras coisas (talvez mais valiosas para o mundo). Simples assim.

Outro dia fui zapear, como se diz. Estava na TV a cabo, assumo. Mas parei foi na TV Escola, um canal do Ministério da Educação, num programa sobre Filosofia, que me esclareceu um bocado da vida e da obra do Nietzsche. Pendi pro lado dos “integrados” que acreditam na TV como poderoso instrumento de difusão da educação mesmo. Eu nunca li Nietzsche e aprendi um monte de coisas sobre ele. Bacana. Depois, zapeando mais, parei na TV Brasil, outra emissora pública, num programa interessantíssimo chamado “Lutas.doc”, um tipo de documentário que, a partir de entrevistas com gente interessante dos movimentos sociais, da política, historiadores etc., reconstruía uma história do Brasil a partir da desmistificação da “cordialidade” brasileira, apresentando outra(s) história(s) de lutas e de agressividade ocultadas (ou camufladas) na história oficial da nação. “Ah, então a televisão já está fazendo seu papel de meta-crítica e eu querendo descobrir a roda…”, pensei. Todo mundo se pergunta por que esse tipo de programa não “vende”. Não seria justamente esse o problema: determinar que tudo esteja sob a lógica neo-capitalista? Não seria mais interessante pensar em políticas públicas de comunicação, como no caso dessas emissoras, salvando os problemas que provavelmente elas têm (e quem não tem, não é mesmo?)? Qual o papel da escola nesse processo de conscientização? Essa discussão, inclusive, também vem lá dos tempos da roda. E segue circulando.

De uma maneira geral, “Sobre a televisão” em perspectiva com a programação da televisão brasileira – e as preferências televisivas da minha avó – rendem mil assuntos os quais não seriam adequados ficarem num mesmo post, como manda a etiqueta do texto online. Devo parar por aqui, pois realmente não prevejo um limite para a discussão que tem me interessado bastante. Só gostaria de deixar no ar mais umas coisinhas: a questão da “massa” (que diabo é isso, afinal?), e aquela ladainha de que “é isso que o povo gosta” (uma injustiça com esse tal de “povo”), a liberdade de escolha do controle remoto (temos esse poder mesmo, tendo em vista a circularidade da informação de que nosso recém-estimado Bourdieu também trata?) etc. etc. etc. Agora não sei se sigo atualizando o blog ou se faço um doutorado! Enquanto isso, que me perdoem os apocalípticos, mas o certo é que vou ver mais tevê pra poder pensar melhor.

 

 
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